Romero Ferro

Ilustração por: Bárbara Lopes

Entrevista por: João Miguel Fernandes

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Ocupação: Músico

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1 – Fala-me de um momento da tua infância que te tenha marcado particularmente.

Eu tive uma infância muito bonita, e vários momentos marcantes. Mas lembro muito de quando sentava no chão da sala para ouvir música com o meu pai! Tínhamos uma radiola, e ele tinha muitos discos em vinil ou em fitas k7. Foram momentos que se repetiram várias vezes, e que hoje percebo o quanto isso foi importante na minha vida. Porque foram as minhas primeiras referências musicais!

2 – A evolução digital, nomeadamente das redes sociais, tem misturado talento e mediatismo. De que forma é que geres o que é publicado nas redes sociais? Tens um plano estruturado ou partilhas coisas da tua vida pessoal?

Eu faço um pouco dos dois. Tenho uma equipe que pensa nos posts comigo, a gente mescla entre posts profissionais e posts pessoais. As redes sociais se tornaram uma ferramenta poderosa de comunicação… poderosa e direta! Nelas eu falo diretamente com todos os meus fãs, e recebo um feedback instantâneo! É uma ferramenta trivial atualmente, mas algo que precisa ser usado com limite, assim como tudo na vida.

“A empatia é o que mais nos aproxima, a partir dela passamos a entender o lugar das outras pessoas no mundo, o nosso lugar e o lugar do universo inteiro. Passamos a entender tudo de forma mais profunda e complexa. É um exercício diário e muito importante. E disso virão os nossos sentimentos como o amor, por exemplo.”

3 – Num mundo cada vez mais digital e online, de que forma é que vês a evolução da música nos dias de hoje? Achas que o formato “álbum” está morto e é o single que tem mais valor?

O mercado tem consumido tudo de forma muito rápida, na música não é diferente. Eu acho que chegamos em um horizonte legal com streaming, e passaremos um tempo maior trabalhando com ele, tem muito o que aprofundar. O single tem funcionado com mais destreza da seguinte maneira: um artista ainda não sabe o caminho que vai direcionar o seu álbum, então solta um single para testar o seu público. Ou simplesmente, o artista tem um disco já lançado, e quer fazer um single diferente, ele pode. Até por que lançar um single é muito mais barato. Mas o álbum e o single se complementam, um não toma o lugar do outro. Porém cada artista precisa saber o momento exato de de lançar cada um dos produtos, e isso está muito relacionado ao timing de cada carreira.

4 – Quais são as coisas que mais nos aproximam e quais são as coisas que mais nos distanciam enquanto seres humanos?

A empatia é o que mais nos aproxima, a partir dela passamos a entender o lugar das outras pessoas no mundo, o nosso lugar e o lugar do universo inteiro. Passamos a entender tudo de forma mais profunda e complexa. É um exercício diário e muito importante. E disso virão os nossos sentimentos como o amor, por exemplo. O egoísmo é o sentimento que mais nos distancia. ele é um inverso da empatia. Mas existe uma coisa engraçada, os dois precisam existir de forma equilibrada na nossa vida, precisamos pensar no outro e no universo inteiro, e também precisamos pensar apenas em nós. Tem que haver tempo para tudo. E essa dose do que deve ser, ou quanto deve ser, tem que ser administrada por cada um, varia de humano para humano. Assim a gente vai se construindo e evoluindo. A partir do momento em que a gente se propõe a ser melhor em cada dia, tudo muda à nossa volta. As pessoas perdem muito tempo tentando mudar as outras pessoas, eu acho isso um erro gigantesco. Só eu posso me melhorar, eu não posso fazer isso em você. Só você pode.

5 – Quais foram as pessoas que mais te influenciaram na tua vida e porquê?

 

Nossa! É difícil pensar em pessoas que mais me influenciaram, porque todas as pessoas que passam por mim acabam me influenciando de alguma forma, e me modificam um pouco. Acredito que a gente está nessa constante de amadurecer, mudar, se reinventar… Às vezes alguém que passa tão rápido cria um furacão dentro da gente! E olhe, não acho que furacões internos sejam coisas ruins, pelo contrário! Acho que todas essas inquietações que vivemos é sinônimo de maturação, de movimento. Quero estar sempre inquieto! Porém posso dizer seguramente que os meus pais me influenciaram bastante, afinal de contas eles me criaram, e me deram todas as primeiras noções de mundo. Depois deles, todo o resto do mundo (risos).

6 – Portugal e Brasil têm uma relação próxima por questões óbvias. O que é que te chega de Portugal? Principalmente nas artes.

 

Eu acho Portugal um país lindo, teremos sempre um elo muito forte por toda a nossa história desde o período da colonização em diante. Temos quase a mesma língua! E essa proximidade me deixa seduzido. Tenho muitos amigos e amigas que hoje moram por aí, e estão sempre compartilhando as suas experiências maravilhosas. Pretendo conhecer o país pessoalmente em breve, e fazer shows por aí também. Ainda tenho vontade de mergulhar mais nos artistas portugueses, principalmente da música, conheço menos do que gostaria.

7 – O teu visual é muito relaxado e livre, mas muito cuidado ao mesmo tempo, isso é uma extensão da tua personalidade? Como é o Ferro no dia a dia?

 

O Ferro no dia a dia respeita muito a vontade interna dele, sou muito vaidoso, as vezes acordo e gosto de sair me arrumando, porém tem dias que saio bem largadão. O Romero artista é muito ligado em uma estética, gosto muito de pensar nisso e respeitar todo o universo que crio para os meus trabalhos. Quando falo de estética nada disso tem haver com padrões. Mas penso em todos os meus clipes, as cores, os momentos, as transições… caminho já criando todos esse mundo por traz.

““BregaWave” foi o termo que eu encontrei para traduzir o que estava fazendo, é algo completamente novo, que eu não vi ninguém fazer. É a fusão do Brega Pernambucano (um ritmo regional, famosíssimo no meu estado), com elementos da New Wave e da música Pop.”

8 – A tua sonoridade mistura vários estilos, desde o pop ao new wave, passando por estilos mais clássicos como a música electrónica de Kraftwerk ou Toro y Moi. Como funciona a tua composição? Costumas retirar influencias de outros artistas para criar a tua identidade? Há muita planificação?

 

Sou uma pessoa muito livre na hora de compor, respeito muito a minha inspiração, as minhas emoções. Porém nesse último trabalho que gravei, aprendi a canalizar as ideias e escrever pensando em um conceito já pré-amarrado. É um jeito novo de usar a minha arte, e eu amei desvendar isso. É um disco que sairá agora em julho, e que foi muito planejado. Todos os passos!

9 – Explica-nos um pouco o que significa o “BregaWave”.

 

“BregaWave” foi o termo que eu encontrei para traduzir o que estava fazendo, é algo completamente novo, que eu não vi ninguém fazer. É a fusão do Brega Pernambucano (um ritmo regional, famosíssimo no meu estado), com elementos da New Wave e da música Pop. Tem sido um desafio criar esse mundo todo, estou amando!

10 – Os teus videoclips têm uma estética muito arrojada. Costumas participar no seu processo criativo? Procuras constantemente outros artistas visuais para colaborares ou segues uma linha mais tradicional?

 

Demais! Amo muito participar de tudo, tudo precisa passar pelo meu crivo. Lógico que confio em profissionais que vão depositar os seus olhares, e eu preciso estar sempre somando. Já escrevo as canções pensando no que serão os videos, e tudo isso dentro de um contexto muito maior!

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