Rafael Martinez Cláudio

Ilustração por: Avgvstv.z

Entrevista por: João Miguel Fernandes

Ocupação: Psicólogo e Jurista

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1 – Como é que uma pessoa criativa vai para um curso como direito? Qual foi a grande razão para pensares “ok, é isto que eu quero fazer da vida”?

Não houve nenhuma razão para porque eu nunca decidi verdadeiramente isso. Eu fui para direito à descoberta. Eu sempre tive muitas dúvidas sobre o que queria fazer da minha vida, ainda hoje tenho. Então na altura era o menos mau do que eu achava que me podia dar oportunidades. Era aquilo que eu, por alguma razão, achava que era o melhor, influenciado pelas séries e filmes, o que foi um grande erro. Fui para o curso não porque achasse que era aquilo, mas a achar que aquilo podia mostrar-me o que eu queria fazer, dentro do âmbito do direito ou coisas à volta do direito. Nunca pensei mesmo em ser advogado, achei que podia ser um curso útil, mas estava errado.Quando entrei odiava o curso, mas os colegas mais velhos diziam-me que no primeiro ano nunca se aprendia nada de jeito, que o segundo ano é que era.

No segundo também odiei, mas estava a adorar o ambiente de faculdade e os colegas. E aí os colegas mais velhos voltaram a dizer-me que o segundo ano ainda era muito introdutório, que o terceiro é que era o âmago. Então cheguei ao fim do terceiro e também não gostei nada, só de Direito Penal. E aí percebi que a opinião dos meus colegas mais velhos não me estava a valer de nada, então não lhes perguntei mais nada, mas como estava quase no fim achei que devia terminar. E no final do último ano sabia que não ia exercer Direito. Ganhei muito do ponto de vista social, mas só achei útil o Direito Penal, que mais tarde me levou ao caminho da psicocriminologia.

2 – Porque é que decidiste tirar uma nova licenciatura? Desta vez em Psicologia.

Primeiro porque não tinha gostado da primeira. Em segundo porque para a área que eu queria precisava de bases que não iria ter num mestrado. Achei que uma licenciatura iria ser útil, mesmo sem ter a certeza absoluta de que era aquilo que eu queria. Mais uma vez fui para uma licenciatura sem ter a certeza do que queria, mas aqui tinha um pouco mais de certezas. Depois no curso vim a confirmar que a psicocriminologia era realmente o que queria. Agora tenho um objectivo profissional, em direito os objectivos passavam pelo bar.

3 – Onde é que o curso de Psicologia te vai levar profissionalmente?

Muito provavelmente para fora de Lisboa, muito possivelmente para fora de Portugal. É complicado ter trabalho em Lisboa nessa área, a maioria dos trabalhos são no Porto. Se possível vou tentar ficar em Lisboa, mas é pouco provável, é uma questão de oportunidades. Gostaria de trabalhar na área de investigação criminal, mais na parte de investigação científica que apoia a criminal.

“A experiência que tinha de produzir música vem do secundário, em que estava ao lado de um amigo que durante uma aula de história começou a cantar os nomes dos ditadores e a usar o verbo “gostar” e associar tudo isso a produto gastronómico. Lembro-me que começava com “Eu e o Estaline gostamos de piripiri” E eu tinha aquilo na cabeça e pensei, “pá, eu tenho que pôr isto numa música”.”

4 – Quando estiveste em Direito estiveste envolvido em vários projectos culturais, dois musicais, Prime Time Nation e os Gato por Lebre. Em relação ao primeiro, em que momento é que alguém sem experiência como músico decide criar aqueles samples e expor a sua música?

Isso nasceu como todos os meus projectos, nas fases de exames. Arranjo sempre coisas para me distrair do estudo. Prime Time Nation surgiu no segundo ano de direito, porque lá está, como eu adorava direito e não tinha nada para estudar em fases de exames, decidi inventar isto. A experiência que tinha de produzir música vem do secundário, em que estava ao lado de um amigo que durante uma aula de história começou a cantar os nomes dos ditadores e a usar o verbo “gostar” e associar tudo isso a produto gastronómico. Lembro-me que começava com “Eu e o Estaline gostamos de piripiri”. E eu tinha aquilo na cabeça e pensei, “pá, eu tenho que pôr isto numa música”. Peguei num programa rudimentar e cantei aquela frase com vários efeitos. E daí surgiu um mini projecto que se tornou famoso pela escola. Prime Time Nation surge então a partir de um discurso do Che Guevara nas Nações Unidas, que é um discurso que eu acho bastante interessante, não que me identifique totalmente com a ideologia lá presente, mas sim com a forma e âmbito como é feito. Como o discurso tinha sete minutos, lembro-me que gostaria de ter aquilo de outra forma, então fiz umas guitarras e uns efeitos e criei uma música a partir disso.

Fiquei bastante espantado com o sucesso que o projecto teve, principalmente fora daqui. O fim do projecto surgiu por duas razões, em primeiro lugar porque eu não me motivo a fazer coisas sozinho, normalmente as coisas que eu crio sozinho são aquelas que se desenvolvem mais mas que no fim são aquelas que menos me motivam. E a segunda razão é porque acredito que as coisas têm um ciclo, o projecto deu-me tudo aquilo que pretendia. Quando tive convites para concertos achei que não fazia sentido criar aquilo ao vivo. Achei que foi uma experiência engraçada, até gravei com um texano de barba via internet, produzi música com vários amigos, tudo aquilo que eu pretendia. Quando tentei continuar senti que já estava a repetir o produto e isso deixou de me satisfazer. Podemos dizer que o projecto está em hiatos.

5- Relativamente aos Gato por Lebre, como é que foi a passagem da música mais electrónica para um projecto mais tradicional, folk?

A culpa é um pouco do projecto anterior, porque numa fase em que ainda estava a tentar continuar aquilo de uma forma diferente, ponderei pôr aquilo ao vivo e ainda ensaiei com algumas pessoas. Sempre me satisfez bastante fazer música com mais gente do que propriamente fazer música electrónica sozinho, embora tenha tido o seu propósito, foi bastante terapêutico para mim. Posteriormente juntei-me com o Jorge Almeida e o Luís Feijão e tentámos criar um projecto que foi evoluindo através daí. Para mim foi uma transição natural porque a música popular portuguesa é na verdade o meu gosto mais enraizado. Sempre adorei fazer fusões musicais, algo que explorei bastante em Prime Time Nation.

O projecto de Gato por Lebre teve um crescimento positivo durante um ano em que tudo funcionou bastante bem, mas depois quando o Luís Peixoto teve que sair de Lisboa e ir para o Porto tivemos que arranjar mais pessoas para o substituir. Creio que foi a partir daí que as coisas já não voltaram a funcionar tão bem, primeiro porque é compreensível que as pessoas que fundam um projecto tenham uma ligação emocional maior do que as pessoas que entram para tocar músicas que já existam. Quando tentámos chamar mais pessoas perdemos um pouco da dinâmica. Foi um processo natural de desmembramento. Ainda tentámos, mesmo quando da estrutura inicial só estava eu e o Jorge, mas percebemos que não fazia sentido estar a arrastar o projecto. Sem sermos os quatro originais acho que não faz sentido voltar a pegar no projecto. Acabámos com uma música nova gravada, por isso acho que tivemos um fim interessante.

6 – Como é que surgiu o Fakebook dos Escritores? Achavas que o projecto iria ter tanto sucesso?

Acho que é o meu projecto que teve algum real sucesso. Sempre achei que uma boa história vale mais do que uma má verdade. Mais uma vez o projecto em si nasce numa altura de exames, agora de psicologia. A ideia vem de anteriormente, de uma brincadeira que eu sempre tive sozinho, que eram as chamadas de inquéritos que normalmente fazem às pessoas. Como tenho alguma solidariedade com essas pessoas, porque estive a trabalhar num Call Center durante dois dias, entretanto fugi, sei o quão chato é aquilo tipo de trabalho. Então tento sempre animá-los e brincar com eles. Sempre que me ligam para casa faço um personagem que não sou eu. Durante muito tempo fingia que era um mordomo estrangeiro, tentei também imitar um assaltante. E uma vez comecei a dizer que era o Júlio Isidro, então eram os senhores que me ligavam a desligar a chamada. Na sequência destas brincadeiras, pensei que era giro fazer alguém retratar o Fernando Pessoa a atender uma chamada a dizer que não era ele mas sim um dos heterónimos. Esta ideia ficou-me até que uns meses mais tarde falei com um amigo meu que desenhava bem para tentar fazer os escritores a terem um diálogo. Como ele é bastante organizado, até hoje ainda estou à espera desse desenho, aliás ele até costuma dizer que se tivesse feito aquele desenho eu nunca tinha feito o Fakebook dos Escritores. Como eu não sabia desenhar tentei pegar no Facebook e arranjei um site que simulava facebooks  e inventei um facejack do Álvaro de campos ao Fernando pessoa. Não disse a ninguém que aquilo era meu e pus no facebook sem me preocupar muito. Lembro-me de voltar lá passado duas semanas e a página tinha treze likes. Dois ou três dias depois tinha duzentos e no dia seguinte tinha praticamente dois mil. A partir daí foi subindo até chegar quase aos quarenta mil. Comecei também a fazer umas bd’s com o Miguel Ângelo. Ultimamente voltei ao original com o Miguel Vieira, que é um rapaz que teve um projecto comigo, o Paradoxo em Negro. Mais uma vez canso-me de fazer as coisas sozinho, gosto de envolver pessoas e é isso que tem mais piada.

Há uma ideia com o Miguel de avançarmos com o modelo do Fakebook e integra-lo num projecto de animação, não exclusivamente sobre escritores, mas sim um projecto humorista muito curto com sketchs de dez/quinze segundos.  É apenas uma continuação noutra vertente. Quanto ao Fakebook acho que não tem data marcada para acabar, mas acho que também não vai continuar para sempre. Enquanto fizer sentido vamos continuar a fazer. Aquilo tem o factor surpresa, porque os posts com mais sucesso nem são os que acho que tenham mais piada.

7 – Estás também ligado à poesia há vários anos. Chegaste a editar um livro. Como é que funciona essa veia poética, encaras isso de forma séria?

 

A poesia é um bocado diferente. Os outros projectos têm o objectivo de ter visibilidade pública, a poesia já não. Escrevi algumas coisas para concursos, mas eu nunca ganho concursos, nem sorteios, nem passatempos. Muitas vezes fico em segundo, mas nunca ganho. No concurso de poesia em que tenho um poema editado, ele está editado porque fiquei em segundo. Em curtas-metragens já tenho várias participações e felicitações, mas nunca ganho. Escrevo algumas vezes alguns contos em prosa, mas a poesia é algo que faço muito raramente. Tem a ver com um certo estado espirito, não posso estar nem muito feliz nem muito triste, para mim está muito associado a um estado de melancolia. Este ano candidatei-me novamente a um concurso, com algo que já tinha escrito, mas certamente não vou ganhar.

O primeiro poema que escrevi na vida foi sobre o meu avô que eu nunca conheci. E foi por aí que comecei a gostar de escrever poesia, embora eu nunca escreva sobre mim. Eu não escrevo sobre nada pessoal, mas a escrita é íntima, ou seja, eu finjo, mas finjo intimamente.

8 – Fala-me sobre um momento da tua infância que te tenha marcado.

 

Não preciso de pensar muito, não vou escolher um momento, mas sim muitos momentos que acho que definem muito aquilo que sou hoje. O humor que faço e que tenho, aquilo que nós somos resulta do feedback que temos dos outros. Esse humor vem todo de vários momentos da minha vida com a minha avó. A minha avó ensinou-me uma coisa que acabou por marcar o meu sentido de humor, ensinou-me a observar. Quando íamos para jantares de família e assim ela dizia para eu ficar calado e observar as pessoas. E é algo que adoro fazer hoje em dia, as pessoas são muito engraçadas quando não sabem que estão a ser observadas. Grande parte do que sou hoje, principalmente no humor, vem daí, da capacidade de estar parado no metro e olhar para as pessoas. Muitas vezes farto-me de rir sozinho, porque imagino o que elas estão a pensar.

A pessoa com quem mais me ri em toda a minha vida foi a minha avó. Lembro-me uma vez em que estávamos no casamento e estava uma senhora velhota a falar com a minha avó, mas não se percebia nada do que ela dizia. E a minha avó ia-lhe respondendo “pois, pois”, enquanto me dizia que não estava a perceber nada, isto em castelhano, porque a minha avó era espanhola, até que a certa altura a senhora vai à casa de banho e eu pergunto-lhe como é que ela entendia o que a senhora estava a dizer, ao que ela me responde “Bem, quando ela faz uma cara mais triste eu digo, pois coitadinha, quando ela faz uma cara mais alegre eu faço um sorriso”. E a minha avó conseguiu estar uma hora e meia a falar com essa senhora sem perceber quase nada. Sem me aperceber comecei a fazer isto na minha vida, porque agora estou mais surdo. Nos táxis sofria muito com isto, porque muitas vezes não entendia o que eles diziam e eu tentava ter um diálogo com eles sem perceber nada. E é algo que acho mesmo muita piada. Acho que o sentido de humor é algo que me define, então por consequência a minha avó foi das pessoas mais importantes.

“Há um escritor do qual agora não me recordo o nome que dizia que Portugal é dos países pequenos o que mais produz pequenez. Ele dizia isto de forma sarcástica, de uma ideia da arte ser proporcional ao tamanho, o que é uma ideia totalmente falsa. Em Portugal há uma criatividade e produção artística enorme.”

9 – Vivemos numa época difícil em Portugal, de que forma é que achas que a criatividade e as artes são apoiadas em Portugal? O que é que sentes da tua própria experiência?

 

Há um escritor do qual agora não me recordo o nome que dizia que Portugal é dos países pequenos o que mais produz pequenez. Ele dizia isto de forma sarcástica, de uma ideia da arte ser proporcional ao tamanho, o que é uma ideia totalmente falsa. Em Portugal há uma criatividade e produção artística enorme. Conheço bem a realidade espanhola, porque tenho família lá, vou lá muitas vezes, e noto que em Espanha apesar de politicamente haver uma protecção incomparavelmente maior à cultura, há uma produção muito mais linear em muitos âmbitos. Talvez por haver essa protecção exista uma menor necessidade de inovar, isto porque se eu for um músico castelhano sei que não preciso de fazer algo tão inovador para ter oportunidade de ser ouvido, isto também para um escritor ou cineasta. Esta falta de protecção em Portugal não é boa, mas a verdade é que em Portugal sabemos que não basta gritar, tenho que gritar de forma diferente de todos os outros para chegar mais longe. E isso é algo que estamos a fazer muito bem, estamos a inovar bastante a nível musical, basta olharmos para os Dead Combo.

No âmbito literário julgo que nem são os mais conhecidos os que estão a inovar. Temos em Portugal um dos maiores poetas vivos, o Herberto Hélder. Acho que em Portugal há uma inovação de larga escala, o que faz sentido historicamente para um país costeiro, com uma relação com vários países. Lembro-me de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso em que ele dizia que não podia haver um nacionalista português que fosse racista, porque é uma contradição de termos porque o nacionalismo português pressupõe tudo menos o racismo, porque Portugal sempre gostou de se misturar com outros povos. Enquanto os espanhóis matavam os indígenas, os portugueses copulavam com eles.

Portugal é um país com uma identidade muito própria, ligada também a todas as outras culturas. Portugal é um bom país para se estimular a criatividade, se isso é aproveitado julgo que não, mas acho que somos nós que definimos a política e não o inverso. Acho que só vale a pena haver civilização se quisermos ser civilizados. Acho que a evolução nunca é feita do topo para base, mas sim da base para o topo. Julgo que vamos perceber isso mais tarde, porque há muita gente que não desiste, seja a fazer a sua música, seja a escrever, seja a divulgar outros artistas, há muita gente que não vai desistir desta cultura riquíssima.

10 – Estás ligado a vários ramos da criatividade. Achas que deveria haver uma organização/plataforma que fizesse uma ponte entre pessoas criativas e as que precisam de criatividade, ou seja, pessoas com ideias e sem meios e pessoas com meios mas sem ideias?

 

Acho que já existem algumas plataformas do género, penso é que estão desenhadas de forma errada. Quem faz essas pontes e plataformas pensa essencialmente em lucrar com isso. Lembro-me de ver um site que fazia agenciamento e promoção de jovens talentos de vários âmbitos, havia espaço para toda a gente, até para quem fizesse uma boa açorda. Inicialmente achei muita graça à ideia, mas percebi que a ideia era apenas lucrar com as ideias das pessoas. Obviamente que deve haver lucro, mas é num sentido transversal, ou seja, deveriam lucrar com o sucesso das pessoas e não apenas com as ideias das pessoas, porque quem lucrava inicialmente eram eles e só se corresse bem para os artistas é que esses iriam lucrar. Acho que o caminho não deve ser esse, mas sim funcionar para todos.

Falta também formação para entendermos o que são boas ideias, em vez de pagarmos por algo mais barato mas que no fundo é uma ideia mais fraca. Lembro-me de uma altura em Portugal em que se ouvia aquele estilo pimba brasileiro, entretanto essa fase desapareceu e voltou agora nos últimos anos. Li recentemente um artigo, que não sei se é verídico ou não, que dizia que o Anselmo Ralph tem mais sucesso em Portugal do que Angola, que lá é considerado um cantor pimba enquanto que cá é considerado um cantor acima da média. Nada contra o Anselmo Ralph, que me parece bastante simpático e porreiro, o que não implica que ache a sua música boa. A minha questão é porque é que o Anselmo Ralph, sem desmérito para ele, tem muito mais tempo de antena do que outros artistas nacionais? Acho que é por aí que quem promove falha, não sei sinceramente qual será a solução, porque acho que falta uma certa educação cultural, ou talvez não, talvez realmente o que vende mais seja o melhor. Penso que desse ponto de vista ficaríamos culturalmente mais pobres, mas ficaríamos mais ricos financeiramente.

11 – Se mandasses em Portugal o que farias em relação à crise?

 

Adaptava um sistema do Miguel Esteves Cardoso. Pedia às televisões para fazer um anúncio público onde revelava um encontro secreto num sítio a definir com todos os portugueses, mas ninguém podia falar disso, porque o FMI e a Troikia não podiam saber desta reunião. Desta forma a convocatória seria feita a toda a gente menos para o pai e mãe do Durão Barroso. Depois encontrávamo-nos todos e combinávamos que o dinheiro que viesse da Troika era dividido por todos os portugueses, depois dessa divisão eu dizia que quando a Troika cá viesse íamos fingir que estava tudo bem e que estávamos a dar o nosso máximo, até porque na realidade estamos. E depois dizíamos que o dinheiro tinha sido gasto naquilo em que eles tinham decidido. Aumentava também os impostos, mas dizia às pessoas para não pagarem. Isto para dizer que não podia aumentar mais os impostos e que precisava de mais dinheiro. Se a Troika emprestasse mais dinheiro eu repetia o processo até ao dia em que eles não emprestassem mais dinheiro. Se eles não emprestassem mais dinheiro eu voltava a convocar uma reunião, sem a mãe e o pai do Durão Barroso, e dizia às pessoas que agora para enganarmos a Troika tínhamos todos que dar cinco euros para um fundo e dizermos que era um fundo de solidariedade. Voltava a chamar a Troika e aí se eles acreditassem na minha história e dessem mais dinheiro eu repetia o primeiro procedimento, senão pegava no fundo e fugia. Parece-me uma solução do mesmo tipo de honestidade das que têm sido usadas ultimamente, como tal não me parece nada chocante e ninguém me vai levar a mal, pelo menos as pessoas que votaram neles.

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