Luis Clara Gomes

Ilustração por: Vicente Niro

Entrevista por: João Miguel Fernandes

luis clara gomes moullinex

Ocupação: Músico

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1 – Carl Sagan falava várias vezes sobre a possibilidade de existir vida extraterrestre algures no universo. Numa das suas entrevistas ele diz que na possibilidade de sermos contactados por alguém, será sem dúvida alguém mais avançado que nós, já que só recentemente inventamos a comunicação por ondas. Achas que há vida extraterrestre? O que é que achas sobre esta possibilidade? E como é que imaginas que possam ser esses seres?

Acho que o universo é demasiado grande para não existir vida extraterrestre, sobretudo porque nos anos mais recentes da astronomia conseguiu-se começar a estudar os planetas extra solares e chegou-se à conclusão, através do estudo à distancia da atmosfera destes planetas, que poderão ter uma composição quer em termos de gravidade como de distância à sua estrela, e poderão albergar vida. Penso que as probabilidades são grandes, porque estamos a falar de um número enorme de planetas. Contudo, não deixa de ser interessante que ao existir vida inteligente nunca nos tenha contactado, talvez isso seja uma opção deliberada (risos). No Star Trek a primeira linha do código de conduta da Starfleet é que não se deve contactar uma civilização que ainda não chegou pelos seus próprios meios à viagem entre o sistema solar. Isto é uma visão o mais pragmática e realista possível, porque não acredito em esoterismos nem teorias da conspiração, mas a verdade é que as probabilidades assim o indicam, num universo tão vasto, e tendo em conta que noutros planetas a evolução geológica conduziu a sucederem as mesmas condições que originaram vida no nosso planeta; inclusivamente uma das teorias da evolução é que a vida no nosso planeta começou por um elemento externo ao nosso planeta, como um asteroide. Seria assustador que num universo tão vasto estivéssemos sozinhos.

2 – Carl Sagan dizia também que tanto a religião como a ciência procuram a mesma coisa. Até que ponto é que para ti são diferentes, és de algum modo religioso e qual deve ser o papel da religião no mundo atual?

Eu acho que a religião é uma fonte de conforto para o nosso maior medo, que é a morte. A morte é um dos fatores que mais nos leva a tomar decisões na vida, por isso queremos deixar uma marca, deixar descendência e procurar significado para a nossa existência. Compreendo a necessidade da espiritualidade que as pessoas possam ter, acho é que existem várias formas de encontrar a espiritualidade. A espiritualidade enquanto conceito abstrato é algo que respeito completamente, mas tenho problemas com qualquer estrutura de poder usada como subterfúgio para controlar outras pessoas, isso inclui a religião organizada, o futebol, alguns sistemas políticos. Acho que o facto de termos medo da morte faz com que seja fácil se alguém se aproximar como o profeta, seduzir-nos e controlar-nos e é isso que é, ao mesmo tempo, mágico e assustador na espiritualidade.

Eu não sou uma pessoa muito espiritual, religiosa não sou de certeza, mas obviamente que é confortável para a nossa existência achar que isto tem um significado; mas o facto é que a maior parte do tempo deixo-me ditar pela ciência e pelas evidencias e até agora não foi provado que exista alguma grande teoria da criação que seja ato de alguém ou de uma entidade que nos é externa e por isso sou e continuo a ser um agnóstico ateu militante.

“Acho que o que nos une mais é o facto de partilharmos estes sentimentos básicos como o amor, a procura do amor, a procura da paz, a procura da espiritualidade, também. Acho que o facto de sentirmos e termos consciência dos nossos sentimentos é o que nos une mais.”

3 – Quais são para ti as maiores características que nos aproximam enquanto seres humanos?

Todos nós sentimos, essa é a primeira característica comum a todos os seres vivos e todos nós, enquanto seres humanos, somos capazes de refletir sobre os nossos sentimentos e tomar decisões racionais baseadas nos sentimentos. Acho que o que nos une mais é o facto de partilharmos estes sentimentos básicos como o amor, a procura do amor, a procura da paz, a procura da espiritualidade, também. Acho que o facto de sentirmos e termos consciência dos nossos sentimentos é o que nos une mais.

4 – As cidades do Norte do país como o Porto, Barcelos, Braga e Viseu parecem ter uma maior união musical do que Lisboa. O que é que é diferente no Norte?

Eu acho que concordo com o sintoma, mas não concordo com a razão. Acho que não é uma coisa exclusiva do Norte, tens esse fenómeno a acontecer em Leiria, nos Açores, etc., mas tem mais a ver com a ideia do meio pequeno de nós contra o mundo, que faz com que as pessoas se unam mais. Isso acontece a um nível macro, está a acontecer com o nosso país, com a cena musical nacional, apesar de ser muito diversa, muito heterogénea e a apontar em todas as direções, que vão desde o underground ao mainstream, do rock ao metal, passando pelo ambient; apesar de muito heterógena vive-se um sentimento coletivo de que pertencemos a algo que é maior que a soma das partes. E eu acho que isso acontece nas cenas pequenas, como em Barcelos, Braga, Porto, e acontece também em géneros particulares, como na electrónica, no rock. Acho que é essa ideia de nós contra o mundo.

Eu como sou de Viseu e vivo em Lisboa há bastante tempo se calhar consigo ver os dois lados, que é quando crescíamos em Viseu achávamos que as oportunidades nos passavam sempre ao lado enquanto artistas, porque só se passavam coisas em Lisboa e de certa forma é verdade, a grande parte das pessoas que nos visitam passam por Lisboa, Porto e Algarve. Em Viseu sempre achámos que estávamos à margem e isso faz com que procuremos pessoas que nos inspirem e motivem à nossa volta, nos nossos amigos, o que cria um sentimento muito grande de pertença a estas micro cenas que depois se materializa numa identidade muito própria, porque no fundo se tiveres sempre o mesmo designer a fazer o artwork das bandas todas daquela cidade, se gravarem todas no mesmo estúdio, há alguém que se quer chegar à frente e monta uma editora para elas e acaba por ser aquilo que nos está próximo, e isso cria uma identidade; e acho isso muito bonito.

5 – Numa entrevista anterior dizes que “ser artista hoje é também ser editor, designer, produtor, cantor e especialista em marketing, e tudo isto ao mesmo tempo”, o que falta em Portugal a nível educacional para preparar melhor os jovens para serem isto tudo enquanto artistas?

 

Muito sinceramente, desde que não haja um desinvestimento na educação que tem sido a trend nos últimos anos, acho que está tudo a ser bem feito, ou seja, do ponto de vista pedagógico a nossa geração saiu preparadíssima da universidade e o sistema educacional “tendencialmente gratuito” funcionou. Eu estudei engenharia mas fui exposto a todos os tipos de conhecimento, tive amigos designers, cientistas, músicos, biólogos, por isso acho que esse facto de estarmos preparados para resolver problemas com os recursos que temos, que é algo que define a engenharia, se alastra para outras áreas. Podes não ter as condições absolutamente ideais para fazer uma coisa, mas fá-la, é mais importante fazer do que propriamente teorizar sobre a sua feitura. Existe é um fosso muito grande, porque somos preparados para isto tudo e depois chegamos à realidade do mercado de trabalho, ou do mundo artístico, seja qual for, e é um bocado um choque de realidade e muita gente não lida bem com esse choque de realidade porque ambicionou ser artista plástico e tem que fazer banners de Instagram para uma marca.

A verdade é que talvez o que esteja a faltar é perceber que já que investimos tanto em todas estas áreas e nem todas são áreas que geram diretamente riqueza, mas geram valor cultural e é a razão pela qual Portugal é um país atrativo, porque as pessoas querem beber desta nossa cultura, do que é ser português e do que nos faz. Para mim é como se estivéssemos a fazer um grande jardim e a encher aquilo de plantas, que somos nós, e depois é como se não instalássemos um sistema de rega para estas plantas; e agora como é que elas crescem? Acho que é isso que falta, aproveitarmos o facto destas pessoas já quererem fazer algo e alinharmo-nos enquanto país com coisas que já estão a acontecer para mantermos essa nossa relevância cultural.

6 – Quais são para ti as semelhanças entre engenheiros e artistas?

 

Na pergunta anterior focaste um bocado no facto de sermos multidisciplinares e eu acho que na engenharia aprendemos a ser isso mesmo e um artista hoje em dia muitas vezes também o é. Um músico tem que ter uma identidade visual e muitas vezes, como somos nós a fazer tudo, isso vem de nós, somos nós que a fazemos, o que significa que essa multidisciplinariedade é muito importante nas artes. Qualquer pessoa emocionalmente ligada aos seus sentimentos consegue transformá-los num output artístico, consegue fazê-lo talvez em fotografia, ou outra área, porque as ferramentas estão disponíveis de forma quase gratuita e acessível para toda a gente.

Acho que quem está disposto a aprender e a explorar tem uma vantagem hoje em dia e acho que é uma característica que vejo tanto nos cientistas, como nos engenheiros e como nos artistas.

7 – Achas que essa multidisciplinariedade nas artes é só possível graças à Internet ou achas que está relacionada com outros fatores externos como escolas, aprendendo entre elas?

 

A Internet acaba por ser este marco evolutivo em que passámos da era da comunicação para a era da informação. Acho que às vezes temos que fazer uma pausa e pensar, o que é que seria eu pegar no meu smartphone e chegar ao eu de 1994 e mostrar-lho? É que tens um objeto minúsculo que te cabe no bolso com permanente acesso a todo o conhecimento gerado pela humanidade em qualquer sítio. Já pensaste nas implicações filosóficas, existenciais e artísticas disto? Nós vivemos numa era em que temos acesso permanente a toda a informação, isto significa que, por consequência, temos cada vez mais acesso a conhecimento, ou seja, a barreira de entrada para tudo é fácil, qualquer pessoa com um telefone e Instagram é fotógrafo, qualquer pessoa que tenha um computador da Apple tem o Garage Band instalado e é músico, qualquer pessoa é escritora, jornalista; mas a verdade é que nestas áreas perdeu-se tempo, já não há tempo para refletir nas coisas, já não há pensadores porque mesmo o texto online é cada vez mais direcionado para os bullet points, porque ninguém tem tempo de ler quatro páginas sobre um assunto, mas se calhar tem tempo para ver um episódio de vinte minutos da Netflix que te explica o que é que é determinada coisa. Ou seja, a maior reflexão que eu tiro sobre isto é que apesar de sermos bombardeados por informação de todos os lados, a nossa capacidade para assimilá-la manteve-se e, como tal, imagina, é como se fosses uma mãe, que tem um limite de atenção, se tiveres um filho o tempo para esse filho é diferente do que se tiveres dez.

Os estudos académicos estão cada vez mais orientados para o ranking, referências, etc., e muito menos para os assuntos de fundo; é um bocado como a arte, a arte está cada vez mais orientada para te provocar sensações imediatas e ser super estética, para não pensarmos muito. Óbvio que estou a falar de forma geral, felizmente há muitas exceções, mas a verdade é que acaba por ser aquilo para o qual temos tempo. Ok, adoro esta foto que está aqui no meu feed, mas a atenção que lhe dedico é menos do que cinco segundos e isso cria pouco espaço para uma narrativa maior. Também já ninguém ouve álbuns, a cultura das playlists orientou cada vez mais o consumo do músico para os singles. As ferramentas ditam o output e as ferramentas são cada vez mais simples e menos dadas à introspeção.

 

“Porque ao odiarmos alguém fortalecemos os laços com as pessoas que odeiam essa entidade ou ideia. Isto é supostamente uma vantagem evolutiva, só que a verdade é que este efeito de câmara de eco faz com que amplifiquemos a nível global uma ideia que pode ser errada, que pode não ser factual e isso conduz a situações como o Brexit, Trump e tantos outros.”

8 – De que modo é que esse consumo imediato pode levar a um retrocesso cultural da população?

 

Acho que olhamos menos para as coisas. Estamos a cair muito num cliché de “não tenho uma opinião sobre isto”, mas vejo um documentário feito por alguém que vive dentro da minha bolha e, como tal, pensa como eu e acabamos rodeados de pessoas que nos dizem que sim – isto é biológico. Porque é que o ódio é uma força tão grande na humanidade? Porque ao odiarmos alguém fortalecemos os laços com as pessoas que odeiam essa entidade ou ideia. Isto é supostamente uma vantagem evolutiva, só que a verdade é que este efeito de câmara de eco faz com que amplifiquemos a nível global uma ideia que pode ser errada, que pode não ser factual e isso conduz a situações como o Brexit, Trump e tantos outros.

 

9 – Seria interessante ver de que forma é que a política atual subsistiria sem a Internet?

 

Eu gosto de História, e embora não seja um estudioso de História, vejo as descrições dos sistemas feudais na Idade Média, onde utilizavam o medo e a ignorância para reinar, repetidas hoje em dia; em muitos aspetos nós mudámos as nossas igrejas, as convencionais perderam força, mas as igrejas da Apple, Facebook, entre outras, continuam a crescer. No outro dia entrei na Apple store de Londres e é uma igreja, existe um culto, os sacerdotes, a peregrinação para visitar aquele lugar de culto e sinto que há muitos paralelos entre o sistema feudal e aquilo que vivemos hoje em dia. Porque n o fundo nós vivemos com as migalhas que nos dão, o trabalho é visto como uma obrigação e quanto menos as pessoas pensarem e quanto menos refletirem, e quanto mais lhes conseguires impor ideias, mais elas se conformam e aceitam que esta é a realidade em que têm que viver. É aquela coisa do “tens que trabalhar, tens que trabalhar”, claro que sim, ótimo, o trabalho é uma ótima fonte de significado na vida, mas porque é que estamos a trabalhar para outros? Um motorista de Uber, por exemplo, trabalha para uma empresa e paga-lhe uma mensalidade, mas porque é que essa pessoa não cria ela própria uma empresa? Ah, porque é complicado e depois os impostos e mais não sei-quê. Eu não censuro a pessoa que não faz isso, isto são pequenos advogados do diabo que vivem dentro de nós e nos impedem de ir atrás dos nossos sonhos. Não estou a criticar a empresa que tem empregados, nem o empregado que não quer criar a sua empresa porque não quer viver no medo da incerteza económica.

A verdade é que viver no medo facilita muitas coisas para os outros.

10 – Há muitos anos que há muito o debate de que a música Portuguesa deve ser mais valorizada. O que é a música Portuguesa?

 

Consegues definir música Francesa? Tem uma língua? Tem um instrumento próprio? É que eu penso em Air, Charlotte Gainsbourg, Daft Punk e Stromae e não vejo um estilo proeminente, um instrumento, etc.

É como nos EUA, tens a cena da Califórnia que se materializa em Kendrick Lamar, Low-fi hip hops, Kamasi Washington, bandas de garage rock, etc. Mas o que é a ideia abstrata da música Francesa? É que é sofisticada, romântica, embora hajam exceções claro, estou a tentar dizer as palavras que me vêm à cabeça, é também melancólica, piegas às vezes, elegante. O que é a música de Los Angeles? É solarenga, relaxada em relação ao frio de Nova Iorque. Ou seja, acho que apostar na música Portuguesa enquanto um género não é estratégia, é uma ideia abstrata; nós podemos ser a Califórnia da Europa, ou ter uma identidade coletiva e individual e as duas não serem mutualmente exclusivas.

Eu sinto-me parte da música Portuguesa. Se alguém me disser que a música Portuguesa tem que ser cantada em Português eu sinto-me na mesma parte da música Portuguesa. E sinto que o iZem, um produtor Francês, de origem Argelina, a viver em Lisboa faz música Portuguesa. Sinto que alguém que nem é Português e vem de Moçambique e vive cá faz música Portuguesa. Alguém que vive em Toronto e canta em Português faz música Portuguesa. Acho que é uma ligação abstrata a uma comunidade e, por isso, se nos preocuparmos em compartimentalizá-la estamos a perder o ponto.

Acho que podemos ser várias coisas, alguém a cantar em Português em Toronto pode também pertencer à música Canadiana. É super importante que não hajam barreiras ao que uma pessoa pode ser, tu podes fazer rock e música de dança e não tens que pertencer a uma tribo.

11 – Tens uma relação particular com o México, porquê? Como começou? E como é que se alimenta essa relação?

 

O México é um país pelo qual tenho um carinho enorme e amo-o com todos os seus problemas e coisas incríveis. Esta ligação surgiu logo nos primeiros anos de carreira, houve blogs Mexicanos a falar do projeto. O povo Mexicano no geral consome muita música, além de serem muitos milhões, e como tal tens a Cidade do México com tanta gente o que faz com que haja espaço para todos os projetos, inclusive o meu. Isso fez com que as rádios e os blogs apostassem em mim e tornou-se um microfenómeno a nível nacional. Tenho ido lá quase todos os anos, mais do que uma vez, fiz muitos amigos músicos, pessoal de editoras, promotores, pessoas não relacionadas com a música e, como tal, procuro estreitar estes laços sempre que possível.  É uma ligação real e emocional com o México.

Talvez haja um fator na minha música que se ligue ao público Mexicano, porque é um estilo positivo de luz, eu olho muito para isso a nível artístico.

12 – O actor Billy Porter (Pose) usou nos Óscares o seu tuxedo gown e disse que as roupas não têm géneros. De que forma é que vês isto? Qual é a tua opinião sobre o crescente fenómeno de não se distinguirem gêneros?

 

Eu gostava que as pessoas cada vez menos se metessem em gavetas ou tags, porque podem ser várias coisas em simultâneo e a verdade é que nós somos aquilo que sentimos que somos e quando às vezes vejo algum tipo de homofobia ou transfobia, acho que ninguém perde tempo a colocar-se na pele da outra pessoa, porque se perdesse… Uma vez fui a uma conferencia médica sobre cirurgia de mudança de género e ao perceber a violência da cirurgia que é necessária para alguém mudar de género, eu percebi que ninguém pode achar que se está a brincar com este assunto, porque é mesmo muito sério alguém sentir que não está bem com o corpo que tem e querer mudar; o que essa pessoa vai ultrapassar, já para não falar da reação da sociedade e família, é tão violento que só alguém que o quer mesmo fazer é que consegue.

Não cabe a ninguém criticar as opções de outra pessoa desde que essas opções não interfiram com as suas liberdades pessoais. Há uma pressão social para nos segmentarmos e dividirmos em partes, mas temos que resistir a isso e foi talvez a essa constatação que eu cheguei quando fiz o Hypersex; não quero fazer um álbum manifesto a evidenciar o que está mal, mas sim um álbum manifesto que evidencie o que está bem, que é que ainda gostamos de dançar uns com os outros e enquanto isso acontecer há significado na música de dança, há significado social, político, espiritual na música de dança. Nós toleramos a proximidade com outras pessoas através da pista de dança e isso é muito bonito – se esta é a minha bandeira é uma bandeira que eu tenho orgulho de ter.

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