Andreas Wannerstedt

Ilustração por: Joel Almeida

Entrevista por: João Miguel Fernandes

Andreas Wannerstedt

Ocupação: Designer & artista de motion graphics 

Clica aqui para leres a entrevista em Inglês


1 – Gostarias de trabalhar em cinema? Se sim, em que tipo de projetos, e com que realizadores, gostarias de trabalhar?

Não é algo que eu tenha pensado, mas não diria não a trabalhar com o Martin Scorsese, sempre adorei os filmes dele. Acho que seria bastante divertido trabalhar numa sequela para um blockbuster, e ver o teu trabalho no grande ecrã.

2 – De onde é que vem a tua influência hipnótica? Quando eras criança, gostavas de ver as coisas movendo-se? Como carros e pessoas? Como é que isso cresceu em ti?

Não tinha nenhum interesse específico em ver coisas em movimento quando era criança, mas sempre gostei de simetria e ordem, o que acho que desempenha um papel importante na criação de padrões de movimento hipnóticos.

Não sei de onde vem a minha influência hipnótica, mas, uma vez que estamos rodeados de tanto caos na nossa vida diária e nos meios de comunicação, queria criar animações que fossem precisamente o oposto disso, então comecei a experimentar loops curtos e animados, onde as coisas funcionavam juntas e em perfeita harmonia. Acho que há algo hipnótico com movimentos repetitivos e loops infinitos.

“É mesmo a minha paixão pela arte digital, juntamente com muita prática e paciência, que me fez chegar onde estou agora. “

3 – Sei que gostavas muito de museus quando eras crianças. Qual é o teu museu favorito e porquê?

Raramente visitava museus de arte moderno quando era criança, mas era um grande fã de museus de história natural e de arte tradicional. Atualmente, o meu museu favorito é, provavelmente, o Museu da Fotografia (‘Fotografiska’) em Estocolmo. Têm sempre exposições interessantes e, também, têm sempre comida e bebidas ótimas.

4 – Com esta evolução digital, o Instagram funciona agora como uma galeria/museu para os artistas. Quais é que achas que são os prós e contras de tentar expor o teu trabalho nas redes sociais?

Com a ajuda das redes sociais, há muito potencial para chegar a várias pessoas o que faz com que seja mais fácil seres aceite como artista, especialmente se encontrares o teu próprio nicho. O Instagram abriu-me, certamente, muitas portas, e a maior parte das minhas encomendas hoje em dia vêm de clientes que me encontraram através dos meus canais sociais. Nunca deves subestimar o poder da partilha.

A desvantagem disto tudo é que podemos estar a afundar-nos em obras de arte baseadas em tendências e pode ser difícil aparecerem artistas jovens e inspiradores. De forma a encaixar-se na sociedade moderna, um artista deve aprender de que forma é que as redes sociais funcionam e quais as suas funções.

5 – Estudaste em Hyper Island, onde a abordagem técnica é muito relevante. Achas que os artistas podem ser realmente bem-sucedidos aprendendo as características técnicas e desenvolvendo as suas capacidades por si mesmo, ou a universidade tradicional ainda desempenha um papel fundamental no processo de aprendizagem?

Sim, estudei Digital Media na escola Hyper Island na Suécia, mas foquei-me mais na dinâmica de grupo e gestão de projeto, por isso diria que todas as minhas capacidades práticas foram aprendidas de forma auto-didata. Para mim, a universidade foi mais para conseguir um bom estágio numa agência respeitada (no meu caso, 8 meses na Exopolis em Los Angeles), e de conseguir bons contatos e ter experiência de vida profissional, e não tanto sobre a aquisição de capacidades.

Fiz muitos tutoriais quando comecei a trabalhar em 3D, e desenvolvi as minhas capacidades desenvolvendo projetos pessoais. É mesmo a minha paixão pela arte digital, juntamente com muita prática e paciência, que me fez chegar onde estou agora.

6 – Qual foi a pessoa que mais te influenciou? Podes dizer mais do que uma.

Em relação à animação 3D, uma das pessoas que mais me influenciou foi provavelmente o Alex Roman. Ainda fico muito inspirado cada vez que vejo a sua obra-prima ‘The Third & The Seventh’ (https://vimeo.com/7809605). É uma obra de arte tão bonita, e é realmente uma das razões pelas quais decidi focar-me mais no design e animação 3D.

“A maior parte da inspiração chega-me quando não estou em frente ao computador, e eu recebo muita inspiração do design de interiores e da arquitetura Sueca. Adoro passear por Estocolmo e descobrir formas, materiais e texturas. “

7 – Podes partilhar uma história/momento da tua infância que tenha sido muito importante para ti?

Quando era criança, a minha família costumava viajar pela Europa de carro, conduzindo várias semanas no Verão, e visitando novos países e cidades. Isto é algo que me deixa muito feliz, porque me permitiu experienciar lugares e culturas diferentes e inspiradoras, e acho que as viagens desempenharam um papel muito importante na minha formação pessoal.

 

8 – Com o crescimento da Internet e de novas formas de comunicação, achas que o ambiente que nos rodeia ainda desempenha um papel importante no nosso desenvolvimento? Como é que Estocolmo influenciou a tornares-te quem és hoje?

Com certeza! A maior parte da inspiração chega-me quando não estou em frente ao computador, e eu recebo muita inspiração do design de interiores e da arquitetura Sueca. Adoro passear por Estocolmo e descobrir formas, materiais e texturas. Sempre partilhei o meu espaço de escritório com outras pessoas criativas que tiveram também um papel importante no meu desenvolvimento.

9 – Os teus últimos trabalhos são altamente influenciados (ou parecem ser) pela arquitetura, pelo metal, pedra, madeira, etc. Alguma vez pensaste em explorar mais o mundo da arquitetura? Construindo modelos para videojogos/cinema ou na vida real?

Quando comecei com o 3D, experimentei bastante iluminação e materiais e, durante alguns anos, dediquei-me muito à visualização de arquitetura e fotorealísticas. Atualmente, tendo para uma aparência um pouco mais abstrata, mas ainda me inspiro muito na arquitetura e seria muito divertido criar modelos da vida real, mas não é algo em que eu pense muito.

10 – Se pudesses criar um mundo diferente do nosso, como é que esse mundo seria? Em termos visuais, leis, etc.

Provavelmente, seria um mundo cheio de cores pastel e detalhes brilhantes, onde todos viviam juntos e interagiam em perfeita harmonia num único dia contínuo.

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